Revolta e esperança<br>pela igualdade
O Dia Internacional da Mulher foi assinalado pela CGTP-IN e o MDM em dezenas de cidades, como um dia que marca a luta das mulheres contra a exploração e a discriminação.
Exige-se direito à igualdade e igualdade de direitos
A Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP-IN deu conta de que as comemorações do 8 de Março, promovidas pelas estruturas do movimento sindical unitário e envolvendo também o Movimento Democrático de Mulheres, estenderam-se este ano a 18 distritos do Continente e às regiões autónomas, num total de mais de 30 cidades. Houve plenários em muitas dezenas de locais de trabalho, quer do sector privado quer da Administração Pública, e houve concentrações, desfiles e manifestações nas ruas de diversas localidades. Na breve nota que publicou ao final do dia 8, a CIMH da Intersindical destacou as manifestações em Braga, Évora, Lisboa, Setúbal e Porto.
A mensagem centrou-se naquela que é a razão mais funda do 8 de Março: o protesto contra as desigualdades e discriminações que atingem a generalidade das mulheres trabalhadoras, a exigência de melhores condições de vida e de trabalho, a construção de alternativas políticas que favoreçam a emancipação.
O folheto editado pela CGTP-IN e distribuído nas iniciativas de dia 8 e nos dias que as antecederam refere alguns dados que caracterizam a situação actual das mulheres, que representam 47 por cento da população activa, 59 por cento da população com formação académica superior, e 52 por cento das pessoas que recebem o rendimento social de inserção. Há 265 mil mulheres que ganham apenas o salário mínimo nacional. Entre as mulheres, a taxa de desemprego (real) situa-se nos 27,6 por cento e sobe a 42,5 por cento na faixa etária dos 15 aos 24 anos. Mas 76 por cento das desempregadas não recebem subsídio de desemprego.
Metade das jovens trabalhadoras tem um vínculo laboral precário. O ganho médio mensal das mulheres é 21 por cento inferior ao dos homens. Com uma pensão média de velhice calculada em 309,74 euros por mês, as mulheres com mais de 65 anos apresentam uma taxa de pobreza de 21,4 por cento.
Estes dados, com maior detalhe, e as reivindicações das mulheres, foram inscritos no «grito de revolta e esperança», um manifesto subscrito pela União dos Sindicatos de Lisboa e pelas estruturas distritais da Interjovem e da Inter-Reformados, pelo MDM e pela UMAR. O documento foi aprovado frente ao parlamento, no final de uma manifestação que partiu da Rua do Carmo cerca das 15 horas. Aqui, junto aos Armazéns do Chiado, esteve instalada durante algumas horas uma banca. A saída em manifestação foi antecedida de uma concentração, em que se integrou a deputada comunista Rita Rato, e que terminou com uma largada de balões-reivindicações. Numa breve intervenção, o Secretário-geral da CGTP-IN realçou que as mulheres são as mais penalizadas pela política do Governo e da «troika» estrangeira. Arménio Carlos destacou ainda que 62 por cento dos delegados sindicais são mulheres.
Em Braga, uma delegação do PCP participou na manifestação promovida na tarde de 8 de Março pela União de Sindicatos do distrito e pelo MDM. Antes, delegações do PCP foram ao encontro das trabalhadoras da empresa de calçado Campeão Português, em Guimarães, e da Fábrica Lima Têxtil, em Famalicão. Aqui esteve também João Ferreira, deputado do PCP no Parlamento Europeu.